I Seminário Brasileiro sobre Livro e História Editorial
8 a 11 de novembro de 2004 Casa de Rui Barbosa - Rio de Janeiro

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Índice de autores por nome

1. Acácia » Cláudia

2. Cristiane » Jackeline

3. Janaína » Marcos

4. Marcus » Wander

Marcus Rogerio Tavares Sampaio SalgadoUniversidade Federal do Rio de Janeiro. Aluno de pós-graduação em Letras Vernáculas na UFRJ, orientado pela Dra. Rosa Maria de Carvalho Gens, em dissertação sobre a representação da cidade no Pré-Modernismo brasileiro. Além de Conselheiro Editorial da Editora Antiqua (www.editoraantiqua.com.br) e editor da revista eletrônica especializada em arte digital Rizoma (www.rizoma.net), é produtor musical e músico e foi curador de exposições e festivais (“Mídia Tática Brasil”, 2003, São Paulo; “Hipersônica”, Paço das Artes, USP, 2003; “Convocação dos cúmplices: 80 anos de Surrealismo”, AMAM, São Paulo, 2004).

Biblia abiblia: livros dentro de livros

O presente trabalho tem por objetivo a análise de livros citados ou surgidos no interior de outros livros, sejam eles escritos por personagens ou criações ficcionais do autor, bem como as bibliotecas e coleções de livros especialmente impressos de personagens famosos da literatura universal. São abordadas com maior ênfase obras de Henry James, Gabrielle d´Annunzio e J-K Huysmans. Os dois primeiros autores escreveram narrativas em que os protagonistas são homens de letras e o último notabilizou-se por requintada bibliofilia que transmitiu a suas personagens. Além de instaurar discussões metanarrativas e de questionar a materialidade do livro como condição sine qua non para a sua existência, o estudo dos “livros dentro dos livros” (ou biblia abiblia, como preferiu o escritor e crítico inglês Max Beerbohm para se referir a esta casta particular de obras) nos fornece pistas importantes para recompor as mentalidades e os costumes das sociedades humanas no que se refere à cultura livresca, sua produção e o seu consumo. Publicados em edições especiais, impressos em consonância com os métodos de impressão mais excêntricos e obscuros e colecionados pelos mais agudos conhecedores, os “livros dentro dos livros” acabam também por apresentar um inventário informal mas interessante das técnicas mais artesanais de produção de um livro, algumas delas já nem mais preservadas no transcurso dos séculos.
Palavras-chave: Bibliofilia; formas e materialidades do livro; preservação da memória literária; história das mentalidades e dos costumes.
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Maria Eurydice de Barros RibeiroProfessora adjunta da Universidade de Brasília, do Programa de Pós-Graduação em Arte (Instituto de Artes) e do curso de graduação em História (Departamento de História). Doutora de Estado pela Universidade de Paris X- Nanterre, Diploma de Estudos Aprofundados pela Escola de Altos em Ciências Sociais (Paris) Ambos em História. Livros publicados: Os signos do poder, A vida na Idade Média (org). Artigos em periódicos nacionais e estrangeiros.

O Livro das Aves. Fragmento de um manuscrito desaparecido

Em 1964 a Universidade de Brasília adquiriu três códices de manuscritos medievais portugueses. Dentre eles, encontrava-se o Livro das Aves, fragmento iluminado, constituído por cinco unidades de pergaminho. O fragmento encontra-se em razoável estado de conservação. A escrita é do século XIV e as iluminuras representam cinco aves e o profeta Ezequiel. A leitura do manuscrito permite constatar que se trata de um bestiário cuja tradição remonta ao Fisiologus, texto alexandrino do século II, compilado no século XII por Hugo de São Victor com o título de De Bestiis et Aliis Rebus. O exemplar de Brasília parece ser único. Mas, certamente, trata-se de um epigrafo (cópia de cópias anteriores). O rastreamento das versões do manuscrito, sugere como o mesmo foi construído e modificado. Na época, o mercado editorial não valorizava a originalidade e a noção de plágio era desconhecida.
Palavras-chave: Manuscrito português; iluminuras; bestiário; medieval; códice; Portugal.
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Maria Helena Camara BastosPontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Doutora em História e Filosofia da Educação; Professora no Programa de Pós-Graduação em Educação da PUC-RS; Pesquisadora do CNPQ.
E-mail: mhbastos@pucrs.br

Leituras de formação: Coração, de Edmundo De Amicis (1886)O estudo analisa o sucesso editorial de Coração. Diário de um menino (1886), de Edmundo De Amicis (1846-1908) – recomendado como livro de leitura para meninos de 9 a 13 anos, na escola brasileira. Através da narrativa confessional, a obra procura educar e moldar o leitor, na perspectiva de ensinabilidade da moral e das virtudes cívicas, fortalecendo o caráter nacional do futuro cidadão. No período da Primeira República (1889-1930), o caráter nacional foi fortalecido através da educação moral, cívica e religiosa – eixo das preocupações para os que almejavam o controle das relações e estruturas sociais para regenerar o País. A obra representa os valores da ilustração brasileira quanto ao projeto pedagógico republicano de formação do novo homem para o novo regime – crença ilustrada nas virtudes da instrução moral e cívica, como forma de manter a ordem social.
Palavras-chave: Leitura de formação; literatura infanto-juvenil; caráter nacional; escola brasileira; Francisco Alves; livro escolar.
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Maria Lygia KöpkeUniversidade Estadual de Campinas. Mestre em Educação, pesquisadora do Grupo de Pesquisa Alfabetização, Leitura e Escrita (ALLE) da Faculdade de Educação, Unicamp. Bibliotecária da Escola Comunitária de Campinas, SP.
E-mail: marialygia@kopke.com.br

Entre louças, pianos, livros e impressos: a Casa Livro AzulAtravés do estudo das propagandas publicadas nos principais jornais da cidade e da leitura dos Memoriais Comemorativos de Aniversário da Casa Livro Azul, procura-se observar como a escrita e seus suportes vão se diversificando e penetrando numa sociedade que se moderniza e profissionaliza no final do século XIX e início do XX, em Campinas, SP. Busca-se também observar como os anúncios podem ser indicadores da construção e permanência desta nova consciência tipográfica que se consolida numa comunidade de consumidores ainda pouco familiarizada com tipografia, papelaria e livraria locais.
Palavras-chave: Tipografia; livros; escrita; impressos; livrarias; Campinas (SP).
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Maria Margarete SantosUniversidade de São Paulo. Mestranda em História Social, FFLCH/USP.
E-mail: meg_santos@uol.com.br

Frei Pedro Sinzig – o apóstolo da boa imprensaEste trabalho tem como objetivo principal analisar a história editorial através do personagem Frei Pedro Sinzig, diretor da Editora Vozes, de Petrópolis (1908-1913). Em sua gestão modernizou a editora trazendo da Alemanha a grande máquina de impressão Windsbraut, juntamente, com as máquinas de dobrar e costurar incrementando a publicação da Revista Vozes de Petrópolis (fundada em 1907) e de outras publicações como livros didáticos, romances, contos, novelas, todos dentro dos preceitos da religiosidade católica. Fundou também, a 29 de janeiro de 1910, O Centro da Boa Imprensa, “Sociedade Cooperativa de Produções, de responsabilidade limitada”, uma instituição brasileira cujo principal fim era o de propagar a boa imprensa e difundir a sã leitura, no território nacional.
Palavras-chave: Vozes; editora; Centro da Boa Imprensa; censura.
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Maria Rita C. Jobim SilveiraUniversidade Federal do Rio de Janeiro. Formada em Produção Editorial pela ECO/UFRJ e em Letras pela PUC-Rio, é coordenadora e professora da equipe de Língua Portuguesa do curso pré-vestibular comunitário InVest desde 1998. Trabalha também como revisora e copidesque.
E-mail: ritajobim@hotmail.com

A Revista Civilização Brasileira: um veículo de resistência intelectual

A Revista Civilização Brasileira, publicada de 1965 a 1968, foi um dos mais importantes veículos de resistência intelectual contra a ditadura militar. A análise de suas características gerais e de alguns de seus principais artigos demonstra a coragem e a ousadia na livre manifestação de idéias contrárias ao governo. Um breve histórico dos eventos que levaram ao Golpe de 1964 e dos primeiros anos do regime – período que vai até 1968, quando se decreta o AI-5 – oferece o quadro para que se possa avaliar o destaque e a relevância da Revista naquele contexto político, social e ideológico. Um resumo da atuação da Editora Civilização Brasileira desde sua criação permite que se compreenda que filosofia a regia e como pensava o homem que a dirigia, o editor Ênio Silveira. Com essa pesquisa objetivou-se resgatar uma parte do passado recente do Brasil, ressaltando o valor e a importância da resistência intelectual pautada por valores como a honestidade, a coragem e a ética, tão em falta nos dias atuais. A história da indústria editorial pode oferecer bons exemplos de atuação digna e relevante em defesa da liberdade de pensamento e de uma sociedade mais justa e humana.
Palavras-chave: Revista Civilização Brasileira; Civilização Brasileira; editora; Ênio Silveira; Brasil: ditadura militar.
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Maria Rita de Almeida Toledo, ver Marta Maria Chagas de Carvalho


Maria do Socorro Fernandes de CarvalhoDoutora em Teoria e História Literária pela Unicamp (2004) com a tese “Poesia de Agudeza em Portugal”; Mestre em Estudos Comparados de Literaturas em Língua Portuguesa pela USP (1988); Professora de Literatura Portuguesa do Departamento de Letras da UFPI desde 1987; Coordenadora do “Centro de Estudos Portugueses” da UFPI (www.ufpi.br/cep). Endereço para contato: galatea@ufpi.br

Discursos preambulares são exórdio de obras poéticas

Os discursos preambulares favorecem a adequação dos livros e auxiliam na composição do sentido dos poemas, qualificando e evidenciando o gênero da obra. No século XVII em Portugal, estes ricos discursos dispostos antes dos poemas operam segundo o preceito retórico do exórdio, pois captam a disposição do público. Na poesia e na tratadística do Seiscentos, prólogos, cartas ao leitor, licenças, privilégios, dedicatórias, discursos encomiásticos e títulos promovem boa disposição e atenção no leitor ou ouvinte, angariando valor e autoridade ao livro impresso ou manuscrito.
Palavras-chave: Prólogos; licenças; privilégios; poesia; retórica; agudeza.
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Mariana Simões LourençoBacharel em Comunicação Social, habilitação Jornalismo, pela UFF, 2004.
E-mail: mary1234@ig.com.br

Edição digital: aspectos e perspectivas da produção de eBooks no BrasilO presente artigo aborda a indústria editorial diante de um dos seus mais recentes produtos: o livro eletrônico. Os principais objetivos são apresentar este novo tipo de livro, esclarecer o funcionamento das editoras responsáveis por sua publicação hoje no Brasil e empreender uma reflexão sobre o futuro da atividade editorial. A tecnologia digital, tendo no eBook o seu principal desdobramento no universo do livro, está criando formas de edição alternativas e outros papéis para os principais agentes da produção editorial.
Palavras-chave: Produção editorial; eBook; editora; editor.
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Marília de Araujo BarcellosMestre em Literatura Brasileira, UFRGS. Doutoranda em Estudos de Literatura/Letras, PUC-Rio, bolsista Capes no Brasil e Capes/PDEE na EHESS/CRBC, Paris, França. Profissional com experiência no setor editorial. A presente comunicação é parte em andamento da tese de doutoramento sob orientação da professora Heidrun Krieger Olinto e de pesquisa com o professor Jean Hébrard.
E-mail: mariliabarcellos@uol.com.br

Paisagem do campo literário contemporâneo na França – um estudo das editoras a partir do Guide FNAC 10 ans de littérature[s] en 200 livres

A presente comunicação apresenta um olhar sobre o mercado editorial e a produção da literatura na França a partir na análise do Guia intitulado 10 ans de littérature[s] em 200 livres, lançado em 2004 pela FNAC. Tal publicação deixa à mostra as editoras e a produção editorial francesa atual a partir de uma seleção, segundo eles, dos melhores romances, novelas, poesia e ficção científica literária dos últimos 10 anos. O estudo em andamento pretende também cruzar as informações recolhidas no Guia com outras fontes de dados levantados em pesquisas bibliográficas e entrevistas realizadas com profissionais do setor do livro. A investigação aponta, desse modo, para a manifestação de tendências do mercado ao considerar a linha editorial de investimento das editoras tais como a inserção da literatura nacional e/ou estrangeira no catálogo, dentre outros aspectos que reunidos interagem e sustentam uma constelação de relações no universo de elementos formadores do campo literário.
Palavras-chave: História editorial; sistema literário; produção editorial contemporânea; França.
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Marisa Midori DeaectoUniversidade de São Paulo. Doutoranda em História, na USP. Atualmente, dedica-se ao estudo do comércio de livros em São Paulo durante o século XIX e, em especial, a presença da Livraria Garraux no meio cultural paulista. A pesquisa é financiada pela Fapesp. Autora do livro Comércio e vida urbana na cidade de São Paulo (1889-1930) (São Paulo: Senac, 2002).

A Livraria Francisco Alves em São Paulo – os meios de expansão da leitura e o desenvolvimento do mercado livreiro (1894-1917)

Em 23 de abril de 1894, inaugurava-se, na cidade de São Paulo, uma agência da Livraria Francisco Alves. Tendo como ponto de partida a projeção deste acontecimento na imprensa da época, propõe-se uma análise sobre as formas de difusão e recepção dos livros na sociedade paulista de antanho. Para tanto, propõe-se três questionamentos: qual a especificidade do comércio livreiro paulista?; a partir de quais elementos é possível analisar a evolução deste comércio no curso do século XIX?; em que medida a Livraria Francisco Alves contribuiu, em termos quantitativos e qualitativos, para uma maior difusão do livro em São Paulo? Desse modo, investiga-se a relação entre evolução urbana e comunidade de leitores numa perspectiva histórica, sem, contudo, abrir-se mão de referenciais geográficos.
Palavras-chave: São Paulo; evolução urbana; comunidade de leitores; Francisco Alves; história editorial; livro escolar.
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Marta Maria Chagas de CarvalhoPontifícia Universidade Católica de São Paulo/Universidade de São Paulo. Doutora em História e Filosofia da Educação pela USP; Professora e Pesquisadora do EHPS-PUC-SP; professora da Faculdade de Educação, USP; pesquisadora do Centro de Memória da Educação da USP; coordenadora do projeto CAPES-GRICIS, “A História da Escola em Portugal e no Brasil: circulação e apropriação de modelos culturais”; pesquisadora associada ao projeto Formation intelectuelle, pratiques culturelles et sociabilités dês elites brésiliennes entre Empire et 1ere Republique (1800-1930), coordenado por M. Jean Hébrard, Centre de Recherches sur Brésil Contemporain (EHESS-Paris).E-mail:mcmarta@uol.com.br

Maria Rita de Almeida ToledoPontifícia Universidade Católica de São Paulo. Doutora em Educação pelo Programa de estudos Pós-Graduados em Educação: História, Política, Sociedade, PUC-SP; Professora e Pesquisadora do EHPS-PUC-SP; pesquisadora do projeto Capes-GRICIS, “A História da Escola em Portugal e no Brasil: circulação e apropriação de modelos culturais”, coordenado por Marta M. C. de Carvalho; Coordenadora do projeto “Organização do Acervo Histórico da Companhia Editora Nacional” e curadora do mesmo.
E-mail: m.rita.toledo@uol.com.br

A coleção como estratégia editorial de difusão de modelos pedagógicos: o caso da Biblioteca de Educação, organizada por Lourenço Filho

Esta comunicação pretende analisar a Biblioteca de Educação, coleção organizada por Lourenço Filho para a Companhia Melhoramentos de São Paulo. Atentando para os dispositivos textuais e tipográficos que produzem o conjunto dos livros editados como coleção, objetivando identificar e analisar os dispositivos de homogeneização dos livros e de sua integração à coleção assim como os dispositivos de produção de um diferencial que confere identidade à coleção. Desse modo analisa: 1) o principal dispositivo de produção da identidade (capa, lombada, contra-capa); a sua estrutura interna (estabelece-se um modelo ao qual os textos publicados são submetidos) e as estratégias de divulgação; 2) o dispositivo de chancela da coleção pelo nome do editor ou organizador; 3) as estratégias de seleção de textos e autores como dispositivos de produção de destinatários e de classificação/ordenação dos temas publicados; 4) o seu aparelho crítico. A análise recobrirá a coleção em sua 1a fase (1927 a 1940) e a estratégia editorial que a produziu – estratégia essa inscrita no programa de reforma da sociedade pela reforma da escola de que Lourenço Filho foi, nesse período, um dos principais mentores.
Palavras-chave: Coleção; estratégia editorial; estratégia de formação; Lourenço Filho, Biblioteca de Educação; Melhoramentos.
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Maurício SilvaCentro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas, SP. Doutor em Literatura Brasileira pela Universidade de São Paulo; pesquisador do Instituto de Pesquisas Lingüísticas “Sedes Sapientias” da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.
E-mail: maurisil@bol.com.br

Publicidade editorial no pré-modernismo brasileiro: uma introdução

A história da leitura pré-modernista no Brasil é feita de capítulos ainda pouco estudados: a publicidade editorial, na virada do século XIX para o XX, é, nesse sentido, um dos capítulos que costumam passar à margem dessa história. O presente trabalho busca analisar a contexto cultural do pré-modernismo brasileiro a partir de uma perspectiva da leitura, destacando a publicidade editorial como fator que nos permite delinear o arcabouço extra-textual do sistema literário vigente no período. As relações entre literatura e publicidade, neste contexto, fazem-se sob uma dupla perspectiva: a) a literatura como forma apropriada para veiculação de anúncios publicitários; b) a publicidade como instrumento de divulgação da literatura, beneficiando o mercado editorial e expandindo o gosto pela e as possibilidades de leitura. Atuando de modo determinante no fortalecimento do hábito de leitura e na própria formação do leitor brasileiro, na prosperidade do complexo editorial moderno e no desenvolvimento de uma literatura pretensamente autônoma, a publicidade editorial pode ser vista como fenômeno sociocultural que serve de argumento privilegiado à constituição do que se convencionou denominar República das Letras.
Palavras-chave: Literatura brasileira; pré-modernismo; publicidade; leitura.
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Mônica LemeDoutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em História da UFF, onde desenvolve tese sobre a impressão musical no Rio de Janeiro no século XIX, sob a orientação do professor Dr. Guilherme Pereira das Neves. É mestre em Música Brasileira pela Unirio (Musicologia). Sua dissertação de mestrado deu origem ao livro Que Tchan é esse? Indústria e produção musical no Brasil dos anos 90 (Annablume, 2003). Colaboradora verbetista do Dicionário Cravo Albin de Música Popular (on-line).

Mercado editorial e música impressa no Rio de Janeiro (século XIX) – modinhas e lundus para “iaiás” e “trovadores de esquina”

Neste trabalho, a autora trata do início das atividades de impressão musical no Rio de Janeiro, na primeira metade do século XIX. O artigo discute questões que vêm sendo levantadas em sua pesquisa de doutorado, que culminará em sua tese cujo título será E “saíram à luz” as mais novas coleções de modinhas, lundus, polcas, maxixes e etc. – “Música popular” e impressão musical no Rio de Janeiro (1820-1920). Do conjunto de material já pesquisado, a autora nos traz um pequeno panorama de como o mercado editorial de música se implantou explorando consumos diferenciados. A grande diversidade social e cultural carioca refletiu-se no estabelecimento de uma nova modalidade de consumo musical (as modinhas, lundus, polcas, maxixes e outros gêneros) em contraste com a produção musical “erudita” (a música sacra e de concerto). Esta “música ligeira”, voltada ao entretenimento das camadas médias, foi um dos braços da nova “indústria de músicas” e anos depois constituirá a base para aquilo que pouco a pouco será reconhecido como “música popular”.
Palavras-chave: Impressão e edição musical no século XIX; editores de música no século XIX; mercado editorial de música; litografia na música; modinhas e lundus.
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Nelson Schapochnik Universidade de São Paulo. Professor Doutor do Departamento de Metodologia do Ensino e Educação Comparada (EDM) da Faculdade de Educação, USP. Autor de, dentre outros, “Cartões-postais, álbuns de família e ícones da intimidade”, in História da vida privada no Brasil, 3: República da Belle Époque à Era do Rádio. Org. de Nicolau Sevcenko. S. Paulo: Cia. das Letras, 1998.
E-mail: nschapo@uol.com.br

“Malditos Typographos”

Este trabalho explora as tensões e queixumes de alguns homens de letras contra a qualidade técnica e intelectual dos trabalhos realizados nas oficinas tipográficas implantadas nestas terras ao longo do século XIX. Por meio de um corpus documental composto por ensaios, crônicas e uma variedade de paratextos (advertências, prólogos, pósfacios) da lavra de Quintino Bocaiúva, José de Alencar, Faustino Xavier de Novais e Machado de Assis, pretende-se examinar as representações formuladas pelos autores acerca daqueles mediadores encarregados de promover a transformação do manuscrito no objeto livro, bem como a natureza desairosa dos argumentos empregados para abordar estes artífices.
Palavras-chave: Autor; manuscrito; livro; compositor; tipógrafo.
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Paula Godoi ArbexUniversidade Federal de Uberlândia. Professora da área de Língua Portuguesa e Lingüística na UFU. Em 2003, defendeu na USP a tese de doutorado, Erico Verissimo, tradutor.

Erico Verissimo no contexto da tradução literária no Brasil

Nossa pesquisa, realizada no campo da historiografia da tradução, investiga a atuação do escritor Erico Verissimo nos “anos de ouro” da tradução no Brasil. Entre 1930 e 1950, o mercado editorial brasileiro experimentou um até então inédito investimento na publicação de literatura traduzida, inicialmente originada pela crise econômica mundial que dificultava a importação de livros. As principais editoras brasileiras, dentre elas a Globo de Porto Alegre, passaram a comprar direitos de tradução de obras literárias, dos mais variados gêneros literários. Um personagem importante desse capítulo da história editorial em nosso país foi Erico Verissimo, que exerceu na Globo o papel de tradutor, conselheiro literário e revisor de traduções, ao mesmo tempo em que via ascender sua carreira literária. Por meio de seus textos biográficos e ficcionais, buscamos encontrar o pensamento de Erico Verissimo acerca da tradução, assim como os entrecruzamentos entre suas atividades de tradutor e escritor.
Palavras-chave: Literatura traduzida; Globo; editora; Erico Veríssimo; tradução.


Paulo Eduardo Dias de Mello

A produção de materiais e livros didáticos para educação de jovens e adultos na década de 90

Este trabalho tem como objeto as políticas de educação de jovens e adultos da década de 90. Para tanto desenvolvemos um duplo escopo. O primeiro é o de realizar um balanço sobre as pesquisas em torno da educação de jovens e adultos nos últimos anos focalizando as abordagens que discutem as reformulações das políticas públicas para este segmento e seus instrumentos de mudanças, quais sejam os currículos, propostas de produção de materiais didáticos e de formação de docentes. Trata-se de pensar as políticas oficiais dos diferentes níveis de governo desenvolvidas no âmbito da educação de jovens e adultos nesta última década e sua relação com o legado dos movimentos sociais e da pedagogia crítica. Por outro lado, abordaremos a questão do lugar deste segmento na produção didática do campo editorial e as iniciativas de produção e elaboração de materiais didáticos levadas a cabo por diferentes agentes educativos, em particular, algumas prefeituras situadas na grande São Paulo.
Palavras-chave: Educação de jovens e adultos; políticas públicas; materiais didáticos; livros escolares; formação de docentes.


Rachel ValençaFormada em Letras Brasileiras pela Universidade de Brasília em 1968, com pós-graduação em Língua Portuguesa na Universidade Federal Fluminense, em 1983, com a dissertação Palavras de purpurina: estudo lingüístico do samba-enredo (1972-1982). Ingressou na Casa de Rui Barbosa em 1977, onde vem desenvolvendo inúmeros trabalhos como pesquisadora do Setor de Filologia, dos quais se destacam o estabelecimento de texto, notas e estudos das seguintes edições: O Sapateiro Silva, com estudo introdutório de Flora Süssekind; O Tribofe, de Arthur Azevedo; As Vítimas-Algozes, de Joaquim Manuel de Macedo; A profissão de Jacques Pedreira, de João do Rio; A cinza das horas, Carnaval e O Ritmo dissoluto, de Manuel Bandeira, em conjunto com Júlio Castañon Guimarães. Autora de Serra, Serrinha, Serrano: o império do Samba, em conjunto com Suetônio Valença, e Carnaval, da coleção Arenas do Rio. É diretora do Centro de Pesquisas da Casa de Rui Barbosa, sendo responsável pela realização deste Seminário.

Arquivos literários, pesquisa e tradição editorial

Arquivos literários como incentivadores da atividade de pesquisa e determinantes de sua orientação: sua manutenção em instituições públicas ou privadas como elemento aglutinador de estudos filológicos. A importância de arquivos pessoais e acervos bibliográficos para o trabalho de edição de textos, quer na orientação da ecdótica, quer na da crítica genética.
Palavras-chave: Arquivos literários; acervos bibliográficos; estudos filológicos; ecdótica; crítica genética.


Richard RomanciniDoutorando no Programa de Pós-graduação em Comunicação da ECA/USP. Mestre em Ciências da Comunicação (USP), pesquisador do NUPEM, Núcleo de Pesquisas do Mercado de Trabalho em Comunicações e Artes, ECA/USP.
E-mail: richard_romancini@yahoo.com.br

A Querela da Imprensa: conflitos regionais e institucionais na construção da história

O artigo discute a emergência de uma série de textos sobre o surgimento da imprensa no Brasil, desde a metade do século XIX até as primeiras décadas do século seguinte. Esta produção é interpretada como, em grande medida, uma expressão de conflitos – que tem na construção da história sua arena – entre grupos/regiões do país. Vista como um “pharol brilhante do progresso”, “uma das mais fortes alavancas da liberdade moderna”, “elemento essencial no mecanismo da civilização hodierna”, a imprensa parece ser utilizada pelos estudiosos como um símbolo das origens da nação e seus destinos. Seria este o “subtexto” do esforço historiográfico que, todavia, não possui continuidade no âmbito em que se inicia (os Institutos Históricos e Geográficos do país). Analisa-se, em mais detalhe, o caso pernambucano, recuperando-se os casos carioca e paulista discutidos em outro texto.
Palavras-chave: Imprensa; história; regionalismo; ideologia; século XIX.
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Rutzkaya Queiroz dos Reis Faculdades Padre Anchieta. Docente do Ensino Superior da disciplina Literatura Brasileira (FPA, Jundiaí, SP), ensino médio e curso pré-vestibular das disciplinas Literaturas Portuguesa e Brasileira. Mestre em Teoria e História Literária, Unicamp. Graduada em Letras, Unicamp.
E-mail: rutzkaya@yahoo.com.br

Machado de Assis e Garnier: o escritor e o editor no processo de consolidação do mercado editorial

No circuito literário do Brasil oitocentista, o francês Baptiste-Louis Garnier ocupou lugar de destaque na produção editorial brasileira, sendo Machado de Assis um dos principais colaboradores de suas revistas e periódicos, como também um dos principais escritores da casa. O objetivo deste trabalho é traçar a história da Livraria e Editora Garnier, vinculada ao processo de inserção do escritor ao cânone literário brasileiro.
Palavras-chave: Garnier; Machado de Assis; mercado editorial; século XIX; França; história editorial.
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Sandra ReimãoProfessora de Pós-Graduação e do Curso de Rádio e TV da Universidade Metodista do Estado de São Paulo (Umesp). Autora de Livro e Televisão: correlações. S. Paulo: Ateliê, 2004; Mercado Editorial Brasileiro, S. Paulo: Com/Arte – ECA/USP; organizadora de Em Instantes. S. Paulo: Salesianas; Televisão na América Latina, S. Bernardo do Campo (SP): Umesp. Coordenadora do Núcleo de Pesquisa Produção Editorial, da Intercom.
E-mail: sandrareimao@uol.com.br

História da cultura impressa, história dos livros – algumas observações sobre estudos brasileiros atuais

Esta exposição divide-se em duas partes: a primeira enfoca os primórdios teóricos do campo dos novos estudos de história do livro; a seguir, em um segundo momento, são apresentados alguns dos principais estudos brasileiros neste âmbito temático. Neste segundo momento busca-se captar quais seriam as principais características desses estudos especialmente em termos de recortes temáticos.
Palavras-chave: História social dos livros; imprensa; comunicação impressa e comunicação eletrônica; formação do campo; bibliografia brasileira.
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Sebastião LacerdaEditor. Editora Nova Aguilar e Lacerda Editores.

Palestra: Carlos Lacerda, fundador da Nova Fronteira


Shéllida Fernanda Da CollinaUniversidade Estadual de Campinas, mestranda em História e Teoria Literária com orientação da professora Dra. Suzi F. Sperber, professora universitária do Instituto Mairiporã de Ensino Superior, parecerista da Universidade Estadual do Centro-Oeste e revisora de livros da Editora Manole. E-mail : shelly@iel.unicamp.br

Punição ou recompensa: a influência do público leitor nos diversos desfechos de Roxana

Daniel Defoe, um homem notável em seu tempo, é, ainda hoje, matéria de análise e estudo. Apesar de sua produção ser vasta, muitas obras ainda não foram reconhecidas como sendo de sua autoria, outras sequer foram descobertas. Todavia, dentre todos os seus romances, o mais surpreendente e destoante de seu conjunto de obras foi justamente o último, Roxana (1724), pois, além de ser o único em que a protagonista é punida, ele sofreu diversas alterações, feitas não pelo autor, mas pelos editores. As explicações para isso são várias, porém a que melhor se aplica é a influência do público leitor, que, ao ter sua opinião formada pela leitura de diversos romances, passou a fazer parte do processo editorial.
Palavras-chave: Literatura inglesa; Daniel Defoe; surgimento do romance; influência dos leitores; Roxana; processo de editoração.
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Silvia Helena Simões BorelliProfessora do Departamento de Antropologia e da Pós-graduação em Ciências Sociais da PUC-SP e da Pós-graduação em Comunicação e Artes das Faculdades Senac-SP. Pesquisadora nas áreas de antropologia e cultura contemporânea, cultura e literatura popular de massa, produção e recepção mediática, televisão e teleficcionalidade. Autora de, dentre outros, Ação, suspense, emoção: literatura e cultura de massa no Brasil. S. Paulo: Educ, Estação Liberdade, 1996; co-organizadora de Vivendo com a telenovela: mediações, recepção, teleficcionalidade. S. Paulo: Summus, 2002.

Ática: história editorial, mercado local e internacional de bens simbólicos

História e produção da Editora da Ática desde a origem, nos anos 1970, até os primeiros anos de 2000. Destaca-se nesta trajetória, a passagem de um modelo administrativo de cunho familiar, centrado em torno de uma liderança, para um padrão empresarial que se transforma de acordo com as alterações do campo editorial e do mercado de bens simbólicos. Como uma das grandes editoras deste período, é responsável pela publicação de livros didáticos e paradidáticos, de literatura em geral, de literatura infantil e juvenil, além de livros universitários e de “interesse geral”. Com grande inserção no campo educacional, a Ática singulariza-se por suas conexões com escolas, professores e alunos e por sua vocação didática e paradidática.
Palavras-chave: História editorial; Ática; produção; mercado de bens simbólicos; livros escolares; literatura infantil.
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Simone Cristina Mendonça de SouzaUniversidade Estadual de Campinas. Graduada em Letras pela Unicamp, Doutoranda em Teoria e História Literária pela mesma instituição, bolsista da Fapesp.
E-mail: simonems@hotmail.com

Adaptações e livros baratos para a Corte: folhetos editados na Impressão Régia do Rio de Janeiro entre 1808 e 1822

A Impressão Régia do Rio de Janeiro foi inaugurada com as funções práticas de publicar documentos e de suprir a escassez de livros didáticos. Posteriormente, imprimiu obras beletrísticas, entre as quais, livros de prosa de ficção, cujo formato editorial se assemelha ao dos livros que compunham a chamada Bibliothèque Bleue. Entre as semelhanças, citamos o fato de que são compostos por adaptações ou capítulos de outros livros. Além disso, dado o caráter de resumo das narrativas, seus enredos se apresentam de maneira recortada, o que dificulta a compreensão. Vislumbrando um quadro de habitantes do Brasil no início do séc. XIX, formado basicamente pela Corte de D. João VI, escravos e alguns comerciantes, levantamos uma dúvida quanto à função dessas versões de textos em prosa, que, no caso francês, foram destinadas aos trabalhadores pobres, mas alfabetizados.
Palavras-chave: Prosa de ficção; século XIX; história editorial; editora; Impressão Régia (Rio de Janeiro).
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Simone SilvaDoutoranda em Antropologia Social PPGAS/Museu Nacional – UFRJ. Mestre em Antropologia Social pela mesma instituição. Professora assistente da Universidade do Grande Rio, Duque de Caxias.
E-mail: simonesilvabr@yahoo.com.br

As “rodas literárias” no Brasil nas décadas de 1920-30. Troca e obrigações no mundo do livro

Este trabalho, através da comparação entre os processos de publicação das obras de estréia de Mário de Andrade e de José Lins do Rêgo (Paulicéia Desvairada, 1922, Menino de Engenho, 1932, respectivamente), procura analisar o sistema de trocas e obrigações do mundo do livro brasileiro ao longo das décadas de 1920-30. A partir da análise de suas trajetórias de estréia, remontadas através de entrevistas publicadas e de correspondências pessoais, foi possível demonstrar a dependência do espaço literário brasileiro, sobretudo do mercado editorial, em relação aos “grupos de amigos”. Esses grupos ou “rodas literárias”, assim chamadas pelos próprios escritores, congregavam pintores, escultores, editores, políticos etc., e condicionavam a própria dinâmica de funcionamento do espaço literário através da rede de relações estabelecidas entre seus “membros”. Ou seja, dar ao amigo uma crítica literária, apresentá-lo em jornal, atendê-lo com o pedido de encaminhamento de seus manuscritos a um editor, era o meio pelo qual se fazia circular tanto o objeto cultural, quanto o da dádiva. Tomamos os grupos de Mário de Andrade – “roda” de São Paulo ou “grupo dos cinco” – e de José Lins do Rêgo – “roda” de Maceió – para tentar demonstrar o papel crucial dessas associações de amigos para o desenvolvimento do mercado editorial e para a arte nacional como um todo.
Palavras-chave: Antropologia social; crítica literária; campo editorial; literatura; prestígio; reciprocidade.
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Susane Santos Barros, ver Flávia Goullart Mota Garcia Rosa


Tania Dauster Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Professora Associada do Departamento de Educação da PUC-Rio; Pesquisadora do CNPq; Doutora em Antropologia Social, UFRJ.
E-mail: tdauster@edu.puc-rio.br

A fabricação de livros infanto-juvenis e os usos escolares – o olhar de editores

Este texto emerge de um programa de pesquisa inter-institucional realizado entre a PUC-Rio e a UFRJ, com o apoio do CNPq e o envolvimento de alunos das duas instituições. Destacando o uso do conceito antropológico de cultura, buscamos entender os valores, significados e concepções que orientam as práticas quotidianas editoriais nas relações estabelecidas com o sistema escolar. Como fontes usamos entrevistas com oito editores da chamada literatura infanto-juvenil trabalhando no Rio de Janeiro. Os outros dados foram obtidos da análise de material jornalístico do Jornal do Brasil e da Folha de São Paulo no período entre 1997 e 1999. A partir desse material realizamos a nossa interpretação. Trabalhamos com a hipótese de que o editor faz parte integrante das relações que tecem as redes na qual o leitor se forma, configurando um pacto social com professores e escolas.
Palavras-chave: Editoras; escolas; livros infanto-juvenis.
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Tania Maria T. Bessone da Cruz FerreiraDocente do Programa de Pós-graduação em História e do Departamento de História da UERJ, atual diretora do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. Pesquisadora do CNPq/Pronex. Autora, dentre outros, de Palácios de destinos cruzados: bibliotecas, homens e livros no Rio de Janeiro, 1870-1920. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 1999. Prêmio Arquivo Nacional de Pesquisa.
E-mail: bessone@uol.com.br

Direito de propriedade ou propriedade literária: os debates sobre autoria no Brasil imperial (1862-1889)

O desinteresse demonstrado por livreiros e editores brasileiros quanto à regulamentação da propriedade literária no Brasil parecia estar de acordo com a postura das autoridades imperiais, isto é, as novas regras não pareciam oportunas. Autores nacionais e estrangeiros eram objeto de publicações que não respeitavam regras de autoria, mesmo aquelas que já estavam regulamentadas em várias regiões européias. Os autores portugueses tinham ciência de que seus livros eram muito aceitos no Brasil, mas não conseguiam obter retorno pecuniário sobre este sucesso. As rixas desdobraram-se em debates que atravessavam o oceano, mas que não conseguiram agilizar os procedimentos legais necessários para por fim a uma espécie de pirataria intelectual, que foi parcialmente atingida no final do Oitocentos. Esse trabalho é desenvolvido em conjunto com a professora Lúcia Maria Bastos Pereira das Neves, responsável pela análise desse processo, desde o início do século XIX até os anos 60.
Palavras-chave: Direitos autorais; autoria; circulação; Brasil; Portugal; século XIX.
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Teodoro KoracakisMestre em Literatura Brasileira pela Uerj (2001) e Doutorando em Literatura Comparada pela Uerj.
E-mail: teodoro@finep.gov.br

As coleções ficcionais de encomenda na literatura brasileira (1995-2004)Este trabalho pretende inicialmente fazer um breve mapa das coleções ficcionais por encomenda realizadas no Brasil no período de 1995 a 2004. Após cumprir esta tarefa, serão analisadas mais detidamente as coleções Plenos Pecados, da Editora Objetiva, e Literatura ou Morte, da Companhia das Letras. Serão abordadas questões do ambiente da produção literária, especialmente a relação entre escritor/autor. Investigaremos também o possível caráter autoral do papel do editor no caso da encomenda literária. Em seguida será feita uma leitura de um dos produtos deste ambiente literário, o pequeno romance A morte de Rimbaud, de Leandro Konder, publicado no ano de 2000 pela Companhia das Letras. Pretendemos com isso proporcionar um diálogo entre duas abordagens do ambiente literário: uma intra e a outra extra-textual
Palavras-chave: Literatura de encomenda ; história editorial; vida literária; coleções.
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Tereza Harumi KikuchiGraduada em Editoração, ECA/USP, 2004. Organizadora do livro José Mindlin, Editor. S. Paulo: Edusp, 2004.
E-mail: thkikuchi@hotmail.com

Diário de Bordo: uma viagem pelos desenhos de Roger Mello

A obra de Roger Mello, na área editorial, é o objeto de estudo desta pesquisa. Para conhecer melhor o seu trabalho, reunimos num catálogo toda a sua produção do ano de 1990 até 2003. Os livros ilustrados por ele somam mais de 90 títulos e foram organizados cronologicamente, sendo 14 deles de autoria própria. Também procuramos distinguir algumas fases no desenho de Roger Mello, identificando as influências que marcaram a sua produção. Essas influências são as mais diversas, desde a linguagem das histórias em quadrinhos até as artes plásticas, o folclore brasileiro, a arte popular e urbana. Finalmente, realizamos um breve exercício de crítica genética, por meio da análise e interpretação de rascunhos do texto, rafes e bonecas para o livro Meninos do mangue, a fim de identificar algumas características do processo de criação do artista.
Palavras-chave: Roger Mello; literatura infanto-juvenil; ilustração; crítica genética.
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Thiago Lima NicodemoBacharel em direito pela PUC-SP e em história pela USP. É pós-graduando em História Social no Departamento de História da FFLCH/USP e desenvolve suas atuais pesquisas sobre a relação entre crítica literária e história na obra de Sérgio Buarque de Holanda, entre 1940 e 1960, com auxílio de bolsa de estudos Capes.
E-mail: thiagonicodemo@uol.com.br

A herança colonial: Sérgio Buarque de Holanda e a História Geral da Civilização Brasileira

O objetivo deste artigo é analisar do ponto de vista historiográfico o papel do historiador Sérgio Buarque de Holanda (1902-1982) como organizador e principal participante da coleção História Geral da Civilização Brasileira nos seus dois primeiros tomos (“A época colonial” e “Brasil monárquico”), publicados em São Paulo pela Editora Difusão Européia do Livro entre 1960 e 1972. Deste modo, tem-se em mente contribuir para o melhor entendimento do papel desta coleção que pode ser considerada o último projeto de uma grande história do Brasil bem como o papel de sua realização no percurso intelectual de Sérgio Buarque de Holanda. Esta análise aponta para um quadro de especialização acadêmica do conhecimento histórico e de mudança de eixo das pesquisas historiográficas do Brasil colônia para o século XIX, que culminou com a formação de um sistema de leitores e autores ligados à universidade abrindo, assim, portas para vários outros projetos editoriais que até hoje têm sua importância e merecem ser pensados.
Palavras-chave: Historiografia brasileira; história editorial; Sérgio Buarque de Holanda; História Geral da Civilização Brasileira.
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Tiago C. P. dos Reis MirandaCentro de História da Cultura da Universidade Nova de Lisboa. Mestre e Doutor em História Social pela USP. Integrante do projeto “Gazetas Manuscritas e Cultura Política em Portugal no Século XVIII”, em conjunto com João Luís Lisboa e Fernanda Olival. Professor Visitante da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, USP. Email: trmiranda@msn.com

O Diario do 4º Conde da Ericeira: folheto noticioso setecentista

Publicado a partir de um registo da Biblioteca do Palácio da Ajuda, no início dos anos de 1940, o chamado Diario do 4º Conde da Ericeira gerou uma série de diferentes reacções historiográficas, quanto ao seu género, ao interesse de suas notícias e à identidade do seu autor. Pesquisas recentes mostram agora que esse texto é uma parte de um Diario maior, escrito, com efeito, por D. Francisco Xavier de Meneses, e distribuído periodicamente, como uma gazeta, ao longo de mais de dez anos. Ganha-se assim uma fonte aumentada para o estudo de um personagem de grande relevo durante o período do “alvorecer do ‘Iluminismo’ em Portugal”, e para a história da circulação das informações no Antigo Regime.
Palavras-chave: Periódico; gazeta; manuscrito; correspondência; historiografia; Portugal: século XVIII.
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Valéria AugustiDoutoranda do Programa de Pós-Graduação em Teoria e História Literária do Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas.
E-mail: vaugusti@hotmail.com

Polêmicas literárias e mercado editorial Brasil-Portugal na segunda metade do século XIX

A presente comunicação tem por objetivo demonstrar a importância do público leitor brasileiro para os escritores portugueses da segunda metade do século XIX a partir da leitura de algumas polêmicas que se desenvolveram no campo literário português desse período.
Palavras-chave: Polêmicas literárias; mercado editorial; relações Brasil-Portugal; século XIX; Portugal.
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Vânia Leite FróesProfessora Titular de História Medieval da Universidade Federal Fluminense. Professora do Programa de Pós-Graduação em História. Autora de vários artigos publicados em revistas nacionais e internacionais. Coordenadora do Scriptorium – Laboratório de Estudos Medievais e Ibéricos.
E-mail: vania@nitnet.com.br

A Biblioteca do rei D. Duarte e as leituras nos serões da corte medieval portuguesa (século XV)

Tomando como base a relação de livros da biblioteca do rei D. Duarte, faz-se uma análise tipológica dos manuscritos e códices a ela pertencentes, mostrando-se como eles são encomendados pelos reis, reconstituindo-se os mecanismos de produção e comercialização desses manuscritos até chegarem à Corte. Finalmente, tenta-se, por aproximações, reproduzir os diversos mecanismos de leitura e utilização desse material nos serões do Paço régio.
Palavras-chave: Manuscritos medievais; livraria régia; livro medieval; leitura medieval; Portugal; códices.


Vavy Pacheco BorgesUniversidade Estadual de Campinas. Professora do Departamento de História.
E-mail: vavys@attglobal.net

Georges Leuzinger, seus negócios e sua família: entre o Velho e o Novo mundos

O suíço Georges Leuzinger, original de Mollis, no Cantão de Glarus, embora tivesse estudado negócios de tecidos de algodão e de rendas em Saint Gallen, veio bem jovem para o Rio de Janeiro, em 1832, para trabalhar em negócios de comércio de sua família. Em 1840 lançou-se individualmente, começando por adquirir a Livraria Ao Livro Vermelho; acabou por se tornar uma figura pública conhecida no mundo comercial e cultural da Corte do Segundo Reinado (e mesmo internacionalmente), como dono de papelaria e tipografia, editor e fotógrafo. Através da Casa Leuzinger, Georges, de fala alemã e protestante, transitava no mundo da “Kaufleute” e era membro da Germania Gesellschaft. Embora só voltando à sua terra-natal uma única vez aos 60 anos, seus laços com o Velho Mundo eram constantes, em função de suas atividades profissionais: importação de técnicas e técnicos, venda de gravuras, competição de seus produtos em exposições etc.; mandava seus filhos ao Velho Mundo para se formarem profissionais e ajudá-lo em seus negócios. Casado com uma francesa, teve 13 filhos; sua mulher, sua cunhada e uma de suas filhas dedicaram-se à educação.
Palavras-chave: Tipografia; editores; livrarias; Rio de Janeiro; Século XIX; história editorial.
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Vera Cecília FrossardRede Nacional de Ensino e Pesquisa. Formada em Psicologia pela UFRJ. Diplomou-se em Análise de Sistemas pela PUC-Rio, em 1991. Obteve o grau de Mestre em Ciência da Informação pelo Instituto Brasileiro de Informação Científica e Tecnológica (IBICT) em convênio com a ECO/UFRJ, em 1998. Freqüentou o MBA em E-business pela FGV, formando-se em 2001. Atualmente trabalha com edição de livros e materiais didáticos em Tecnologia da Informação para a Escola Superior de Redes da RNP (www.esr.rnp.br).

Tipos e bits: a trajetória do livroEste artigo aborda as mudanças na forma de apresentação do livro, dos manuscritos medievais à informação eletrônica na Internet, e as influências destas mudanças nos processos de organização e classificação da informação e na criação de novos hábitos de leitura e culturais. O trabalho, ao final, tece considerações para concluir se o hipertexto pode ser considerado uma inovação tecnológica que inaugura um novo paradigma para a aquisição do conhecimento como se passou com a impressão, que trouxe em sua “esteira”, a nova ordem da sociedade moderna.
Palavras-chave: História do livro; hipertexto; livro eletrônico; mudanças de paradigma; Sociedade da Informação.
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Wander Melo MirandaProfessor titular de Teoria da Literatura da UFMG e diretor da Editora da UFMG. Autor de Corpos Escritos: Graciliano Ramos e Silviano Santiago Graciliano Ramos; Graciliano Ramos; Anos JK – Margens da modernidade. Imprensa Oficial-SP.

Editoria e arquivamento

Reflexão sobre questões referentes aos arquivos de editoras brasileiras e a urgência de sua localização, organização e preservação para uma compreensão mais adequada da vida literária no Brasil e de sua memória cultural. Proposta de articulação entre arquivo editorial e acervos literários como trabalho conjunto a ser feito por editoras e instituições arquivísticas.
Palavras-chave: Arquivos editoriais; arquivos literários; memória cultural; memória editorial; história editorial.


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