I Seminário Brasileiro sobre Livro e História Editorial
8 a 11 de novembro de 2004 Casa de Rui Barbosa - Rio de Janeiro

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Índice de autores por nome

1. Acácia » Cláudia

2. Cristiane » Jackeline

3. Janaína » Marcos

4. Marcus » Wander

Janaína SennaMestre em Literatura Brasileira pela UERJ; doutoranda do programa de História Social da Cultura, PUC-Rio. Autora de “Uma tradição persistente: antologias como rascunho da história da literatura”, in Gragoatá, Niterói: EdUFF, n. 11, 2001; “A cotia fugaz e o tatu escamoso: cenas do Brasil nas antologias oitocentistas”, in Brasil/Brazil, Porto Alegre: EDIPUCRS, ano 16, n. 30, 2003; “Os bons filhos da pátria: a construção de um patrimônio nacional”, in Galvão, C.T; Kliger, D.; Melo, L.; Sâmara, R. (orgs.) Letras: horizontes visíveis (Rio de Janeiro: H.P. Comunicação, 2003).
E-mail: jgsenna@uol.com.br

Questão de economia: as antologias oitocentistas e o ideário nacional

O que se pretende aqui é inserir as antologias publicadas no Brasil, no século XIX, no quadro geral do empenho oitocentista em reunir um patrimônio capaz de dar consistência a uma identidade nacional. Por representarem um acervo de bens comuns a todos os integrantes de um grupo e servirem ao projeto educacional que se desenvolvia paralelamente ao estabelecimento da nação, esse gênero, antes voltado apenas para a prática retórica – e, portanto, espaço de reunião de elementos de estilo –, assume novo significado nesse momento histórico. Isso porque, ao inventar uma tradição, e engordá-la, esses “livros nacionais” punham à disposição de todos, teoricamente, aquilo que precisava ser internalizado para que os indivíduos se sentissem parte integrante de uma coletividade.
Palavras-chave: Antologias; patrimônio; difusão; literatura brasileira; ideologia nacional; século XIX.
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Jaqueson Luiz da SilvaDoutorando do Departamento de Teoria e História Literária do IEL/Unicamp. Desenvolve pesquisa sobre a profecia do V Império na obra do Padre Antônio Vieira, sob a orientação da professora Dra. Adma Fadul Muhana, com o apoio da Fapesp.
E-mail: jaqueson@iel.unicamp.br

Sermões em manuscritos, folhetos e livro: o caso do Padre Antônio Vieira

Após o processo inquisitorial que sofreu nos anos de 1663 a 1667, Vieira reorganiza seus sermões, revisando-os e destinando-os para a impressão, buscando em manuscritos, folhetos e impressões estrangeiras, marcas de suas pregações com o fim de recompô-las. Ao revisar seus sermões, Vieira reorienta a pregação de acordo às circunstâncias, atualizando as questões e temas neles tratados. Discutir as relações entre tais circunstâncias a forma que abriga o desempenho retórico de alguns sermões, principalmente no que tange a profecia do V Império, é o objetivo desta apresentação.
Palavras-chave: Padre Vieira: Sermões; manuscrito; folhetos; impressão; século XVII.
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Jean Hébrard Inspecteur général de l’Éducation nationale. Professeur associé à l’École des Hautes Études en Sciences Sociales. Chargé de conférences au Centre de recherche sur le Brésil contemporain de l’EHESS (histoire culturelle), 1999-2000. Últimas publicações: La lectura de un siglo a otro. Discursos sobre la lectura (1980-2000), Barcelona, Editorial Gedisa, 2002, 205 p (en collaboration avec Anne-Marie Chartier) ; trad. bras. Discursos sobre a leitura (1980-2000). S. Paulo: Ática; «Por uma bibliografia material das escrituras ordinárias : a escritura pessoal e seus suportes», Refúgios do eu, Ana Chrystina Venancio Mignot, Maria Helena Camara Bastos, Maria teresa Santos Cunha, org., Florianópolis, SC: Mulheres, 2000; «Le livre», Dictionnaire critique de la République, sous la direction de Vincent Duclerc et de Cristophe Prochasson, Paris, Flammarion, 2002; “Os livros escolares da Bibliothèque Bleue: arcaísmo ou modernidade?”, Revista Brasileira de História da Educação, 4, julho/dezembro 2002.

Le “nouveau lecteur” du XIXe siècle: étude comparative France /Brésil – O “novo leitor” do século XIX: estudo comparativo França/Brasil.

Palavras-chave: História da leitura; “novo leitor”; França; Brasil; século XIX.

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Jean-Yves Mollier Université de Versailles Saint-Quentin-en-Yvelines, França; Directeur du Centre d’histoire culturelle des sociétés contemporaines; vice-président de la 22e section du Conseil national des universités (histoire moderne et contemporaine) de 2000 à 2003; expert au Comité national d’évaluation (CNE); membre du conseil scientifique de l’Instituit Mémoires de l’édition contemporaine (IMEC), de la Maison d’écrivains Aragon-Triolet, des Annales historiques de la Révolution Française, de la Société des Etudes robespierristes, du Comité scientifique du l’UMR 6563 du CNRS (Centre d’études des correspondances et journaux intimes des XIXe et XXe siècles) et de l’Université de Versailles Saint-Quentin-en-Yvelines. Membre du conseil scientifique ou du comité de rédaction des revues Traverses (Lausanne), Revue d’histoire du XIX siècle et Romantisme. Vice-président de l’Association pour le développement de l’histoire culturelle. Vice-président de la Société des Etudes romantiques et dix-neuvièmistes. Vice-président de la 22e section du Conseil national des universités (histoire moderne et contemporaine) de 2000 à 2003. Autor de, dentre outros : Michel & Calmann Lévy ou la naissance de l’édition moderne, 1836-1891. Paris, 1984; L’argent et les lettres. Histoire du capitalisme d’edition, 1880-1920. Paris, 1988. Organizador de: Où va le livre? Edition 2002-3. Paris, 2002.

L’histoire de l’édition, du livre et de la lecture: bilan de 50 ans de travaux. A história da edição, do livro e da leitura: balanço de 50 anos de trabalhos

Palavras-chave: História editorial; história do livro; história da leitura; França; formação do campo
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Jerusa Pires FerreiraProfessora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Semiótica da PUC/SP, e coordenadora do Centro de Estudos da Oralidade no mesmo programa. Autora de, dentre outros: Cavalaria em cordel, 2ª. ed., 2002; O livro de São Cripriano: uma legenda de massas, 1992; Fausto no horizonte, 1995. Co-responsável pelo projeto Editando o editor, ECA/USP.

Por uma memória do livro, da vida e do ofício – O projeto editando o editor

Este projeto, iniciado e conduzido juntamente com Plinio Martins Filho, procura partir de depoimentos orais, não de entrevistas, vai se desenrolando lentamente e tem como escolha os mais diferentes editores, dos universitários aos populares. Tem como método a escuta oral e em presença, respeitando ao máximo a personalidade e o fluxo do discurso de quem narra. É como se uma história fosse sendo construída, para além dos arquivos e em complementação. Nele, o relato de importantes experiências profissionais, nos matizes de sua práticas, nos seus erros e acertos, impasses e ousadias e também em suas tiradas imaginativas.
Palavras-chave: Relato oral; edição; editores; livro; memória editorial; história editorial.
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João Alexandre BarbosaEnsaísta. Professor de Teoria Literária e Literatura Comparada da USP. Ex-presidente da Edusp. Foi diretor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) e pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da USP. Autor, dentre outros, de Entrelivros; Biblioteca imaginária; Alguma crítica (todos da Ateliê); João Cabral de Melo Neto, Publifolha, Série Folha Explica; Opus 60. Ensaios de Crítica. São Paulo: Duas Cidades, 1980

Edusp: a invenção de uma editora universitária

Quando, em 1989, assumi a presidência da Editora da Universidade de São Paulo, tudo estava para ser feito. Não havia sequer um departamento editorial e todos os livros, com uma ou outra exceção menor, eram publicações de editoras privadas dentro do que, muito impropriamente, vinha se chamando co-edições. Na verdade, a Edusp tão somente pagava os livros, sem qualquer interferência no processo editorial. Com a criação do departamento editorial, mudou-se isto e foi possível começar a publicar os nossos próprios livros, escolhendo títulos, comprando títulos brasileiros e estrangeiros, criando uma rede de distribuição adequada, transformando a editora num espaço de pesquisa editorial. Desta forma acabando por influir no próprio conceito de editora universitária. Esta minha fala pretende ser apenas a narrativa do processo pelo qual se chegou a dotar a Universidade de São Paulo de uma editora verdadeira, os percalços com que teve de se haver a equipe que ali trabalhava, o prazer em ver surgir algo novo não apenas em São Paulo, mas que se irradiou por todo o país.
Palavras-chave: Editora; universidade; co-edições; editora universitária; memória editorial; história editorial.


João Luiz StruchinerUniversidade Federal Fluminense. Mestre em Ciência da Arte (IACS/UFF), especialista em História da Arte (PUC-RJ) e editor.
E-mail: joaols@ism.com.br

O autor-editor-livreiro na Internet: uma análise da edição de livros frente às novas tecnologias

Através da análise do papel social, econômico e histórico do editor, buscar compreender por que a mídia se transformou em um “quarto poder” e discutir as possibilidades de edição “independentes” oferecidas pelas novas tecnologias. Com base na argumentação da Teoria Crítica, debater sobre inclusão digital e democratização do ciberespaço, levando- se em consideração as novas relações de poder entre o editor e o autor independente a partir dessas novas tecnologias. Discutir a edição “independente” como manifestação democrática ou como subproduto da Indústria Cultural.
Palavras-chave: Indústria cultural; novas tecnologias; Internet; editor; autor; edição “independente”.
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João Paulo MartinsAluno do curso de Graduação em História, da UFMG e bolsista do PIBIC-CNPq.
E-mail: jpmartins13@hotmail.com

História e romance: a idéia de história em As aventuras de Telêmaco e as relações entre o texto histórico e a prosa ficcional na passagem dos séculos XVII-XVIII

O romance moderno emerge na passagem do século XVII para o XVIII, tornando-se nesse último um gênero literário que cai no gosto dos leitores. Esse texto pretende analisar as relações entre a prosa ficcional, o romance e seu aspecto realista, e as narrativas históricas feitas nesse período; bem como a manifestação dessas relações no romance pedagógico As aventuras de Telêmaco, de Fénelon, um dos romances mais lidos durante todo o século XVIII. Pretende-se também analisar a idéia de história presente neste romance e o seu diálogo com as concepções de história no Antigo Regime.
Palavras-chave: Romance; escrita histórica; idéia de história.
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Jorge Rocha, ver Ana Elisa Ribeiro


José Afonso FurtadoFundação Calouste Gulbenkian, Lisboa. Licenciado em Filosofia pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Presidente do Instituto Português do Livro e da Leitura (1987-1991). Foi membro da Comissão Nacional da Língua Portuguesa, da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses e do Conselho Directivo da Fundação Centro Cultural de Belém. Foi docente do Curso de Especialização em Ciências Documentais da Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa entre 1992 e 1995 e do Curso de Especialização de Técnicas Editoriais da mesma Faculdade entre 1994 e 2002, onde foi responsável pela cadeira de «Sociologia do Livro e da Leitura». Coordenou e participou e diversos seminários, conferências e debates sobre o livro, a leitura e as bibliotecas e o seu desenvolvimento face às novas tecnologias de informação e comunicação. Desde 1992, é Director da Biblioteca de Arte da Fundação Calouste de Gulbenkian. Membro do Conselho Consultivo do Centro Português de Fotografia (Ministério da Cultura) e do Conselho Superior de Bibliotecas. É Conferencista convidado do Mestrado em Educação e Leitura, Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa. Para além de vários artigos e separatas, publicou O que é o livro, Difusão Cultural: Lisboa, 1995, e Os livros e as leituras. Novas ecologias da informação, Livros e Leituras: Lisboa, 2000.

Metamorfoses da edição na era digital

Historicamente, a edição de livros, periódicos ou outros documentos, tem estado profundamente ligada à produção de material impresso. Muito embora não seja previsível o seu desaparecimento, não é hoje possível ignorar que a emergência e desenvolvimentos das novas tecnologias de informação e comunicação estão a provocar transformações significativas na indústria editorial e nos diversos pontos da tradicional cadeia do livro. No entanto, os fatores tecnológicos, só por si, não determinam as configurações da mudança, mas são antes as dimensões culturais, sociais e econômicas e o modo como elas interagem com as novas tecnologias que vão afetar a edição do futuro. Desse modo, nos termos de Roger Chartier, enfrentamos um conjunto de alterações que abrangem, pela primeira vez em simultâneo, os métodos de produção e reprodução de textos, a estrutura do veículo e as práticas de leitura. É sobre esta situação, que coloca ao mundo da edição sérios desafios, mas também claras oportunidades, que pretendemos refletir.
Palavras-chave: Indústria editorial; livros; novas tecnologias; edição (futuro da); leitura; mercado editorial.
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José de Mello JuniorUniversidade Paulista. Mestrando em Comunicação na UNIP e editor.

Identidade cultural, conhecimento e mercado editorial: o livro na fronteira do impresso com o eletrônico

Este trabalho analisa a indústria cultural do livro como forma histórica de transmissão de conhecimento e procura identificar possíveis mudanças que esta indústria e seus agentes vivem em decorrência da emergente sociedade da informação, do surgimento de novas tecnologias e dos descentramentos das formações identitárias.
Palavras-chave: Livro; livro eletrônico; identidade cultural; conhecimento; novas tecnologias; mercado editorial.
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José MindlinCleber Teixeira o indica, na introdução que fez para Memórias esparsas de uma biblioteca do próprio Mindlin (2004), como talvez o nosso mais importante bibliófilo e, com certeza, o que mais se empenha em “inocular o vírus da paixão pelos livros no maior número possível de pessoas”. Autor, também, de Uma vida entre livros, S. Paulo: Edusp, 1997.

Palestra: Hallewell e o Brasil


Juliana Siani SimionatoGraduação pela Escola de Comunicações e Artes (ECA-USP) em Comunicação Social, bacharelado em Editoração. O presente trabalho está sendo preparado para publicação pela ComArte, Editora Laboratório do curso de Editoração da ECA-USP.
E-mail: jussimionato@terra.com.br

Monteiro Lobato & Cia: uma experiência editorial

O objetivo deste trabalho é estudar a contribuição de Monteiro Lobato como editor. Muito além do grande escritor, conhecido principalmente por sua obra infantil que até hoje é referência, sua ousadia e criatividade foram imprescindíveis para a consolidação da indústria editorial nacional, como afirma Nelson Palma Travassos: “D. João VI criou a Imprensa Nacional. Monteiro Lobato criou o livro no Brasil. O mais foi Idade Média”. Lobato foi editor revolucionário, em um tempo em que a maioria dos profissionais era de estrangeiros e quase que exclusivamente se consumia literatura importada e de grandes autores; ele quis investir em autores nacionais e inéditos. Com o objetivo de produzir obras de melhor qualidade e aspecto gráfico, importou maquinário para produzi-las da forma que achava mais conveniente e abandonou toda tradição francesa de produção de livros com formato e capas padronizadas. Foi Lobato quem impulsionou a distribuição de livros por todo país. Até sua iniciativa de levar sua mercadoria para cada canto do Brasil e colocá-la em exposição para venda não apenas em livrarias e sim em qualquer ponto comercial, tudo o que os antigos editores sabiam fazer era produzir e despejar suas obras nas poucas livrarias concentradas no Rio de Janeiro e em São Paulo. E não satisfeito em apenas colocar seus livros ao alcance de todos, ainda utilizava-se de propagandas em jornais e revistas – e até mesmo nos próprios volumes por ele publicados – para divulgar sua produção. Esse tipo de atitude, na época, causou grande descontentamento, pois a sociedade intelectualizada não podia aceitar que uma obra literária fosse anunciada. Tendo em vista todo esse esforço de Monteiro Lobato em expandir o mercado do livro no Brasil, tentou-se neste trabalho captar um pouco – o início, pelo menos – de sua atividade como editor. O enfoque dessa pesquisa foi a editora criada a partir da Revista do Brasil, a Monteiro Lobato & Cia. (em um momento posterior também denominada Oficina Gráfico-Editora Monteiro Lobato) que esteve ativa entre 1918 e 1925.
Palavras-chave: Monteiro Lobato; editoras; história editorial.
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Larissa FrossardMestranda do Programa de Pós-Graduação em Educação da UERJ – Linha de Pesquisa: Instituições, Práticas Educativas e História. Professora da Universidade Candido Mendes e Orientadora Pedagógica da Prefeitura Municipal de Macaé.
E-mail: ifrc@lagosnet.com.br

Do escritor ao leitor: bastidores da produção e circulação de livros

Neste trabalho são analisadas as obras de Antônio Alvarez Parada, educador, pioneiro em pesquisas históricas na cidade de Macaé, mantendo um diálogo constante com alguns dos documentos que integram seu arquivo pessoal. A análise dos documentos nos permitiu examinar o processo de produção e circulação de seus livros, entendendo que, além de autor, constituiu-se em editor, divulgador e distribuidor dos mesmos. Escolhemo-lo porque foi um dos importantes personagens da história da cidade e seus livros se constituem em suportes físicos da memória, resultado de experiências vividas e de realidades pesquisadas.
Palavras-chave: Livro; autor; editor; memória.
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Latuf Isaias MucciProfessor do Departamento de Artes e do Mestrado em Ciência da Arte da UFF. Doutor em Poética (UFRJ). Pós-doutor em Letras Clássicas e Vernáculas (USP).
E-mail: proflatuf@uol.com.br

O Livro do desassossego, de Fernando Pessoa, livro apócrifo

Na lendária arca de Fernando Pessoa, Livro do desassossego ocupa um lugar sui generis: livro inacabado e inacabável de um escritor multimascarado. Estranho, o Livro do desassossego vaza-se na estética do fragmento, o que remete tanto aos pré-socráticos quanto à pós-modernidade, articulação que aponta, mais uma vez, a extrema lucidez do moderno poeta português. Neste ensaio, opera-se a leitura de Livro do desassossego – diário de Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros –, tomando-se como perspectiva alguma crítica genética e fundando-se na semiologia barthesiana, estruturada na galáxia dos significantes. Em face desse livro fragmentário, pergunta-se: Qual versão ler desse livro do semi-heterônimo Bernardo Soares? Na constelação heteronímica do drama em pessoa, qual o lugar de Bernardo Soares, escritor-escriturário? Como lê-lo: autobiográfica sem fatos, autobiografia fingida, autobiografia sem rosto, metaficção autobiográfica, inventário do cotidiano, escritura epopéica? Apócrifo, indecidível, suicidário, o Livro do desassossego, com suas figurações e desfigurações, constitui-se, ao fim e ao cabo, work in progress, um projeto de livro, um livro por vir, um não-livro, na Biblioteca de Babel, engendrando, em seus editores e leitores, inesgotáveis significações de sua geometria do abismo.
Palavras-chave: Fernando Pessoa; Livro do desassossego; obra apócrifa; autoria; leitura.
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Laurence Hallewell Master of Library Science, Kent State Univeristy, Kent, Ohio, EUA, 1985. Doctor of Philosophy, School of Comparative Studies, University of Essex, Inglaterra, 1975. Fellow of the Library Association (agora “Chartered Institute of Library and Information Professionals”), Reino Unido, 1959. Trabalhou na Columbia University Libraries, Nova York NY, EUA, 1993, e no Dep. de Bibliografia e Documentação, UNESP (Campus de Marília), 1995; Bibliotecário universitário encarregado de assuntos latino-americanos nas universidades de Essex, Ohio State, Minnesota e Columbia. Redator da coleção “Latin American Historical Dictionaries” do Scarecrow Press, EUA, desde 1982; Tradutor do português para Latin American Perspectives da Universidade de California, Riverside, desde 1990; aposentado, desde 1996, da Columbia University e da University Superannuation Scheme do Reino Unido. Autor de O livro no Brasil, sua história, 1985 (em reedição, revista, pela Edusp).

Indústria editorial nestes tempos de neoliberalismo


Lúcia Maria Bastos P. NevesUniversidade do Estado do Rio de Janeiro. Professora Titular de História Moderna da UERJ. Editora Executiva da EdUERJ. Publicou: Corcundas e constitucionais: a cultura política da Independência (1820-1822). Rio de Janeiro: Revan/Faperj, 2003. O Império do Brasil, com Humberto Fernandes Machado. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999; com Tania Maria Tavares Bessone da C.: “Brasil e Portugal: percepções e imagens ao longo do século XIX”, in Relações Internacionais: visões do Brasil e da América Latina. Brasília: IBRI, 2003; “Biblioteca Real”. in Dicionário do Brasil Imperial (1822-1889). Rio de Janeiro: Objetiva, 2002.

Do privilégio à propriedade literária: a questão da autoria no Brasil Imperial (1808-1861)

O presente trabalho tem como principal objetivo analisar a questão dos privilégios e da propriedade literária, verificando como essas noções foram estruturadas não apenas no interior da sociedade brasileira, na primeira metade do oitocentos, como também em função dos interesses das potências européias, principalmente Portugal, cujos representantes protestavam contra o escandaloso roubo praticado em relação aos autores portugueses, por meio da publicação de edições de suas obras no Brasil, sem o pagamento de direitos. À medida que se ampliava a produção e o comércio de livros no Brasil, a questão da propriedade literária, como garantia para os intelectuais quanto à utilização de seus escritos, adquiriu uma outra dimensão, estabelecendo-se uma nova relação entre Estado e intelectuais, ainda que somente alcançada no final do oitocentos. Esse trabalho vem sendo desenvolvido em conjunto com Tânia Bessone da Cruz Ferreira, responsável pela análise desse processo, a partir dos anos 60 do século XIX.
Palavras-chave: Brasil; Portugal; Século XIX; autoria; direitos autorais; privilégios.
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Luciane Moreira de OliveiraPedagoga, doutoranda na área “Educação, Conhecimento, Linguagem e Arte”, da Faculdade de Educação-Unicamp e membro do Grupo de Pesquisa Alfabetização, Leitura e Ensino (ALLE). O trabalho apresentado é parte do projeto de pesquisa desenvolvido no Doutorado, sob orientação da professora Dra. Lílian Lopes Martin da Silva.
E-mail: lmo_br@yahoo.com.br

Entre textos e imagens: editores e impressos na Revista Illustrada

Este trabalho discute as representações dos editores e seus respectivos impressos presentes nos cinco números iniciais da Revista Illustrada, editada por Ângelo Agostini no Rio de Janeiro a partir de 1ª de janeiro de 1876. Entre os jornais e editores representados, encontramos o Jornal do Comércio, O Globo, Diário do Rio, A Nação, Gazeta de Notícias, O Mosquito, O Fígaro e O Mequetrefe. Esses jornais irão freqüentar as páginas da Revista desde os seus primeiros números, e propomos iniciar uma análise das formas pelas quais o editor Agostini irá produzir, na Revista, reflexões acerca destes editores e impressos, que serão veiculadas em textos e imagens.
Palavras-chave: História da leitura; editores; imprensa ilustrada; Ângelo Agostini; século XIX.
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Luciano da Silva MoreiraAluno do Programa de Mestrado em História, da UFMG e bolsista do CNPq.
E-mail: lusilvamoreira@ig.com.br

Tipografias e espaço público na Província de Minas Gerais (1828-1842)

Nas Regências, o espaço para ação dos grupos políticos foi a imprensa periódica. Como instrumento de construção, circulação e apropriação de idéias, as tipografias foram fundamentais para a formulação de uma cultura política. Por intermédio do cotidiano das tipografias, mostraremos a tentativa de constituição de espaço público em Minas Gerais entre 1828 e 1834. Atentamos para a constituição de redes de comunicação em torno dos produtos dos prelos mineiros. As práticas relativas ao impresso, da redação até a leitura, permitem-nos identificar elementos constitutivos de uma esfera pública. Portanto, por meio das relações entre autores, editores e leitores, evidenciaremos a constituição de um espaço propício ao debate público, essencial para as discussões que embalaram aqueles anos tempestuosos.
Palavras-chave: Minas Gerais; tipografia; espaço público; Regência; século XIX.
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Lucy Gonçalves Fontes Hargreaves, ver Christianni Cardoso Morais


Luiz Antonio L. CoelhoProfessor doutor em Comunicação Social pela Universidade de Nova York (Media Ecology Program/School of Education, Health, Nursing and Arts Professions – SEHNAP), com pesquisa realizada, em nível de pós-doutorado, na Reading University, Reino Unido (Department of Typography and Graphic Communication). É professor associado do Departamento de Artes & Design da PUC-Rio, e atua na área de sistemas simbólicos do discurso visual na linha Design: Comunicação, Cultura e Artes.
E-mail: urbanosantos@terra.com.br

Os aspectos afetivos do objeto e mídia livro

O trabalho vale-se da perspectiva metodológica denominada Media Ecology, originada na New York University, que enfoca o impacto de determinada mídia a partir do exame de seu sistema simbólico, tecnologia e recepção. Parte da premissa que a dimensão simbólica de todo objeto deve ser considerada para a compreensão de seu significado mais amplo, para além da função imediata. O autor traz alguns argumentos que podem explicar a questão de amor e rejeição em relação ao livro, enquanto códice, revelados por elementos de seu suporte, linguagem, condições de fruição e projeto gráfico. Relações do texto do códice com formas do texto eletrônico, tais como o programa de televisão e o hipertexto, são também examinadas. O objetivo do trabalho foi o de levantar a questão do afeto agregado ao livro como aspecto importante que seus agentes de produção e uso – autores, editores, designers, ilustradores, livreiros e bibliotecários – devem considerar no trato com o objeto. Temos por resultado o levantamento de hipóteses sobre a reação afetiva que se tem em relação ao livro – reação essa tanto do leitor quanto daquele que não se afina com o livro como fonte de conhecimento – para explicar a situação de subtilização dessa mídia em nosso país.
Palavras-chave: Livro; afeto; semântica do objeto.


Luiz Carlos Santos SimonUniversidade Estadual de Londrina. Doutor em Ciência da Literatura pela UFRJ. Professor-adjunto de Teoria da Literatura e Literatura Brasileira e Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Letras (Mestrado e Doutorado) da UEL. Coordenador do Projeto de Pesquisa “A crônica no perfil híbrido da cultura contemporânea”.
E-mail: csimon@uel.br

O cotidiano encadernado: a crônica no livro

Apresentação, através das contribuições teóricas de diversos autores, da polêmica sobre os lugares da crônica: o jornal e o livro. Levantamento de edições e reedições em livros de crônicas de autores como Carlos Drummond de Andrade, Rubem Braga, Luis Fernando Veríssimo, Fernando Sabino e Paulo Mendes Campos, entre outros. Avaliação do prestígio do gênero com base na inclusão em exames nacionais e antologias, em contraste com o silêncio ou a crítica destas iniciativas no meio acadêmico. O destaque para a edição de livros de crônicas de autores famosos em outros gêneros. Interpretação do impacto de coleções destinadas a volumes de crônicas. Exame conclusivo da relevância e dos significados de crônicas editadas em livros.
Palavras-chave: Crônica; livro; coleções; mercado editorial; reedições.
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Luiz Carlos VillaltaProfessor adjunto do Departamento de História da UFMG, doutor e mestre em História Social pela Universidade de São Paulo, é pesquisador do projeto temático Caminhos do Romance no Brasil – séculos XVIII e XIX, financiado pela Fapesp e coordenado pela professora Márcia Abreu.

Robinson Crusoé e a circulação de livros entre Brasil e Portugal (1768-1821)

Esta comunicação tem por objetivo analisar a presença de romances no comércio legal de livros entre Brasil e Portugal, em particular Robinson Crusoé, de Daniel Defoe, de 1768 a 1821, bem como nas bibliotecas coloniais. Num primeiro momento, será identificada a participação da obra mencionada no comércio legal de romances entre os dois lados do Atlântico, fazendo-se o mesmo, em seguida, com as bibliotecas privadas coloniais. Em segundo lugar, será definido um perfil social dos proprietários dos romances, especialmente de Robinson Crusoé.
Palavras-chave: Romance; circulação; Brasil colonial; Robinson Crusoé; Daniel Defoe; Portugal.
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Manuela D. DomingosAssessora-principal do quadro da Biblioteca Nacional (Lisboa), exerceu funções chefe de divisão de actividade cultural e científica na BN (1997-2000); desde 2001 é responsável pela área de investigação em História do Livro e das Bibliotecas, na mesma Instituição. Publicou, dentre outros. Estudos de Sociologia da Cultura: Livros e leitores do século XIX. Lisboa: IPED, 1985; Relações de Garrett com os Bertrand: Cartas inéditas (1834-1853) (Com facsímile das cartas). Apres. de Carlos Reis. Lisboa: BN, 1999. Bertrand: uma livraria antes do Terramoto. Une librairie avant le tremblement de terre. Com o facsímile do Catalogue des livres qui se vendent à Lisbonne, chez les Frères Bertrand [...] 1755. Lisboa: BN, 2002; Subsídios para a História da Biblioteca Nacional. Lisboa: Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro, 1995; «A caminho da Real Biblioteca Pública : dois documentos (1775-1795)», Revista da Biblioteca Nacional. Lisboa, S.2, 5 (1) Jan.-Jun. 1990. «Para a história da Biblioteca da Real Mesa Censória», Revista da Biblioteca Nacional. Lisboa, S.2 ,7 (1) Jan.-Jun. 1992. «Biblioteca Nacional: crónica de 200 anos», in Guia da Biblioteca Nacional. Lisboa: IBL, 1996; “Mecenato político e economia da edição nas Oficinas do Arco do Cego”, in A Casa Literária Arco do Cego (1799-1801). Bicentenário. “Sem livros não há instrução”. Catálogo da exposição. Lisboa: Biblioteca Nacional ; Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1999. CURTO, Diogo Ramada (coord.); GONÇALVES, Paula; FIGUEIREDO, Dulce; DOMINGOS, Manuela D.; FRANCO, Luís F. Farinha: Bibliografia da História do Livro em Portugal, séc. XV-XIX. Lisboa: Biblioteca Nacional, 2003; CURTO, Diogo Ramada; DOMINGOS, Manuela D. (coord.); FIGUEIREDO, Dulce; GONÇALVES, Paula: As gentes do livro em Portugal: colectânea documental. Lisboa: Biblioteca Nacional, 2004 (no prelo)

Actividades de investigação em História do Livro na Biblioteca Nacional

Da “invenção” das fontes para história do livro em Portugal, primeiramente da história por fazer do petit monde du livre (H.-J. Martin), dos diversos agentes especializados verdadeiros atores na feitura, circulação e colecionismo do impresso, à detecção dos vestígios de interação desses grupos culturais; exploração de fontes para a história das bibliotecas de Setecentos e dos hábitos colecionistas do tempo, estudando as origens da Biblioteca Nacional nesse clima cultural específico, que permite defini-la como “biblioteca de bibliotecas” (dos fundos iniciais às grandes doações e incorporações). Na Biblioteca Nacional Digital, a “Memória do Livro” traduz uma vertente desta proposta disponibilizando um corpus de publicações consideradas fundadoras neste âmbito, dificilmente acessível a estudiosos e investigadores.
Palavras-chave: História do Livro; Biblioteca Nacional; Portugal; Biblioteca Nacional Digital, memória do livro.


Mànya MillenJornalista, editora do Caderno Prosa e Verso, O Globo.
E-mail: mmi@oglobo.com.br

Cadernos literários: angústia e expectativa

A experiência de editar um caderno literário. O que esperam autores, editores, leitores, a cada semana, e a angústia de quem está “do lado de cá” na hora de selecionar o que será descartado e o que será objeto de reportagens, resenhas etc., tendo apenas um caderno semanal para desaguar tantos livros da imensa produção nacional e estrangeira que desaba nas nossas mesas todos os dias. Um olhar pelos dois lados da história.
Palavras-chave: Cadernos literários; jornalismo cultural; editores; livros; leitores.


Marcello MoreiraUniversidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Doutor em Literatura Brasileira pela USP. Professor Adjunto de Literatura Brasileira e de História Literária da UESB. Publicação de artigos, em periódicos especializados – Revista da USP, Camoniana, Politeia, Manuscritica, entre outros –, sobre crítica textual, cultura da manuscritura no Antigo Regime e, também, sobre as relações entre Retórica, Poética e Política nos Estados monárquicos europeus.
E-mail: arboreto@zipmail.com.br

Teorias editoriais e a produção de uma edição hipertextual da tradição de Gregório de Matos e Guerra

Visa-se a discutir as relações entre teorias da edição e sua adequação à historicidade de tradições manuscritas em que intervêm, com vistas a dar a público obras cuja circulação primeira se restringiu à cultura da manuscritura. Objetiva-se, outrossim, apresentar questionamentos sobre o problema da entropia que muitas teorias da edição, contrariamente ao que se espera do labor editorial, acabam por promover. Apresenta-se ao final proposta de edição hipertextual do corpus poético colonial seiscentista e setecentista atribuído a Gregório de Matos e Guerra, em que se particulariza a discussão entre produção de teorias da edição e tradições manuscritas dos séculos XVI e XVII.
Palavras-chave: Crítica textual; teorias da edição; hipertexto; manuscrito; Gregório de Matos; séculos XVI e XVII.
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Marcello Rollemberg Universidade de São Paulo. Poeta, jornalista, tradutor, diretor do Jornal da USP, mestrando na ECA/USP. É autor de Coração guerrilheiro (poesia, 1983); Encontros necessários (poemas em prosa, 1997); e Papel-Jornal (artigos de jornalismo cultural, 2000), além de ter organizado e traduzido quase uma dezena de obras. Colabora como crítico para a revista Cult.

Brasiliense, um encanto radical

Criada nos anos 1940 por Monteiro Lobato e Caio Prado Jr., entre outros, a Editora Brasiliense estava à beira da falência em finais dos anos 70. Estrangulada por dívidas e sem ter um caminho editorial bem definido, a editora – dirigida agora por Caio Graco Prado – no entanto soube se recuperar a partir de um novo posicionamento. Durante uma reunião da SBPC em Fortaleza, em 1979, Caio Graco percebeu junto aos estudantes universitários o que eles estavam ansiando – textos acadêmicos mais arejados, mas ainda densos; novos autores que refletissem o momento particular pelo qual o Brasil estava passando, com a abertura lenta, gradual e segura preconizada pelo governo militar e a volta dos exilados políticos. Foi levando em conta essa percepção que a Brasiliense lançou no mercado coleções como Primeiros Passos, Circo de Letras, Tudo é História e Encanto Radical, dando a esse novo jovem da Geração 80 a possibilidade de um contato redimensionado com a literatura e a academia. Este trabalho pretende abordar os fatores sociais, culturais e políticos que levaram a Brasiliense a passar de uma editora praticamente falida à principal casa editorial do país na primeira metade da década de 80, analisando os percursos percorridos para esse fim.
Palavras-chave: Editora; Brasiliense; jovens; anos 80; cultura; história editorial; Caio Graco Prado.


Marcelo Fereira de AndradesUniversidade Estácio de Sá/Universidade Federal do Rio de Janeiro. Professor do curso de Letras da Unesa, Campus Petrópolis; Mestre em Comunicação e Informação pela UFRGS e doutorando em História Social pela UFRJ, onde pesquisa sobre História do Livro. É autor do livro Editora Vozes: 100 anos de história (Petrópolis, 2001).
E-mail: marcelofereira@yahoo.com.br

Fidelidade como receita de sucesso: um estudo de caso da Editora Vozes nas primeiras décadas do século XX

A pesquisa mostra como a Editora Vozes – que iniciou com apenas uma velha máquina tocada à manivela – tornou-se, em pouco mais de dez anos, conhecida nas mais diversas regiões do Brasil e até internacionalmente, com um catálogo de aproximadamente 200 títulos, diversos deles com várias reedições, prédios próprios, grandes máquinas importadas, dezenas de funcionários, autores, tradutores e duas revistas de circulação nacional. Isso num período em que o mercado editorial brasileiro era bastante incipiente. As relações de proximidade entre os dirigentes da Vozes – frades franciscanos – e membros da elite eclesiástica e, conseqüentemente, membros da elite política e econômica brasileira, descritas na investigação, oferecem uma explicação possível para tal êxito.
Palavras-chave: História do livro; editora; Vozes; Igreja; história editorial.
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Marcelo Ghizi Freire Universidade Federal Fluminense. Mestrando em Ciência da Arte no Departamento de Arte e Comunicação Social da UFF. Bacharel em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda. Coordenador e professor da Faculdade de Artes Visuais da Pestalozzi – RJ.
E-mail: marceloghizi@ig.com.br

Lendo a ilustração ou ilustrando a leitura

Estudo da relação entre a criação e a interpretação de ilustrações em livros infantis. Entendo que a imagem não deve ser tratada apenas como ilustração da palavra nem o texto como explicação da imagem, mas que ambos contribuem para a interpretação da história. Esta pesquisa se dá a partir da análise da relação entre o texto e as ilustrações contidas nos livros infantis da escritora Ana Maria Machado. Entre a representação visual e a literatura, como abordagem fértil para a interpretação das imagens – que aparecem carregadas de significados dentro do contexto da história – por um público cada vez mais dominado pela dinâmica da “cultura da imagem”. Assim, minha abordagem se situa na análise da convergência de significados contidos no que o texto “faz ver” e no que a imagem “dá a entender” para estudar as possibilidades de uma forma de representação gráfica onde os discursos verbal e visual dão origem a novas formas de leitura cujas fronteiras ainda não percebemos com clareza.
Palavras-chave: Ilustração; livro infantil; imagem; leitura.
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Márcia AbreuLivre-docente no Departamento de Teoria Literária do IEL-Unicamp e pesquisadora do projeto Memória da Leitura. Autora de Histórias de cordéis e folhetos e organizadora de O repórter impenitente (Ed. da Unicamp, 1994), Leituras do Brasil (Mercado de Letras; ALB, 1995) e Leitura, História e História da Leitura (Mercado de Letras; ALB, 2000). Tem artigos publicados em revistas e em vários livros, dentre estes: A mídia impressa, o livro e as novas tecnologias, São Paulo: Intercom, 2002).

Impressão Régia do Rio de Janeiro: novas perspectivas

A Impressão Régia do Rio de Janeiro foi a primeira casa editora oficialmente instalada no Brasil, em 1808, por ordem de D. João VI. Destinados pelo rei a imprimir “toda a Legislação, e Papeis Diplomáticos, que emanarem de qualquer Repartição de Meu Real Serviço”, os prelos da casa não se ocuparam, entretanto, apenas de papéis do governo. Logo se dedicaram a “imprimir toda, e qualquer obra”, inclusive livros de Belas Letras – poesia, teatro, romance, obras de eloqüência etc. Quase 200 anos após a instalação da Impressão Régia, o que se conhece sobre suas atividades deve-se fundamentalmente aos trabalhos de Alfredo do Valle Cabral – Annaes da Imprensa Nacional do Rio de Janeiro de 1808 a 1822 – e Ana Maria de Almeida Camargo e Rubens Borba de Moraes – Bibliografia da Impressão Régia do Rio de Janeiro. Essas pesquisas, fundamentais e pioneiras, estabeleceram um conjunto de títulos como tendo sido publicados pela casa. Entretanto, investigações recentes, levantam a hipótese de que tenha havido confusão entre obras publicadas pela Impressão Régia do Rio de Janeiro e livros editados pela Impressão Régia de Lisboa e anunciados à venda no Brasil.
Palavras-chave: Impressão Régia; romance; período colonial; editora; história editorial; século XIX.
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Márcia Cabral da SilvaUniversidade do Estado do Rio de Janeiro. Professora doutora em Teoria e História Literária, com tese defendida no Instituto dos Estudos da Linguagem, na Universidade Estadual de Campinas. A tese intitulada Infância de Graciliano Ramos: uma história da formação do leitor no Brasil vincula-se ao Projeto Memória de Leitura daquela instituição. Atualmente, desenvolvo o Projeto Alfabetização, Leitura e Escrita, na Faculdade de Educação do Estado do Rio de Janeiro, junto ao Departamento de Estudos Aplicados ao ensino, na área de Linguagem.

Correspondência de Raquel de Queiroz com José OlympioOs depoimentos e cartas de Raquel de Queiroz trazem elementos curiosos para a reconstituição do sistema editorial brasileiro: laços de sociabilidade, tramas afetivas, um suposto pacto de lealdade entre a autora e o editor José Olympio ilustram o argumento sublinhado. Este trabalho examina alguma correspondência trocada entre José Olympio e Raquel de Queiroz, visando recuperar os laços de sociabilidade sugeridos. Constitui material de análise parte da correspondência passiva e ativa de José Olympio e colaboradores, doada por ele ao Arquivo Museu de Literatura Brasileira, da Fundação Casa de Rui Barbosa.
Palavras-chave: Raquel de Queiroz; José Olympio; correspondência; sociabilidade.
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Marcia de Paula Gregorio Razzini Doutora em Letras pela Unicamp, desenvolve pesquisa de pós-doutorado na Faculdade de Educação da USP. Publicou artigos sobre a história do livro e da leitura escolar, entre eles “A história literária e a formação de leitores”; “O livro didático e a memória das práticas escolares”; “A Nação na ponta da língua”; “Leitura escolar em exposição” e “Livros e leitura na escola brasileira do século XX”.
E-mail: mrazzini@globo.com

A Livraria Francisco Alves e a expansão da escola pública em São PauloNa República recém-inaugurada, a expansão da escola pública elementar no Estado de São Paulo inaugurou um novo modelo de ensino com a criação dos Grupos Escolares, amplos prédios urbanos construídos especialmente para “agrupar” escolas que antes funcionavam separadas. Além de reorganizar o tempo e o espaço escolar e introduzir métodos de ensino, esse modelo de escola passou a exigir materiais didáticos específicos, sobretudo os livros, talhados para forjar uma educação nacional. Tal expansão, depois seguida em outros estados brasileiros, aqueceu substancialmente o mercado editorial brasileiro e marcou a ascensão da Livraria Francisco Alves como a maior editora do país, cujo nome ficaria gravado na memória de muitas gerações como sinônimo de livro didático.
Palavras-chave: História da edição escolar; história da educação; história editorial; Francisco Alves; livro escolar; São Paulo.
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Marcos PereiraEditor. Editora Sextante.

Palestra: José Olympio, meu avô


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